Operação Usuarius da Polícia Civil cumpre mandados contra suspeito de fraudes e lavagem de dinheiro em Vitória da Conquista

Empresário de 55 anos, proprietário de postos de combustíveis e de empresa prestadora de serviços públicos em Conquista, foi alvo da operação
A Polícia Civil da Bahia cumpriu na manhã desta quinta-feira (30) cinco mandados de busca e apreensão, em Vitória da Conquista, durante a Operação Usurarius, deflagrada pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR).
A ação tem como alvo um empresário de 55 anos, proprietário de postos de combustíveis e de uma empresa prestadora de serviços públicos no Sudoeste baiano, investigado por agiotagem, extorsão, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas.
Mandados cumpridos em três bairros da cidade
Segundo a Polícia Civil, as diligências ocorreram em imóveis localizados nos bairros Ipanema, Boa Vista e Urbis VI, onde foram apreendidos celulares, computadores, tablets e pen drives.
O material recolhido será encaminhado para análise pericial e deve subidiar as próximas etapas da investigação.
A operação contou com o apoio de outras unidades policiais e novas diligências estão previstas ao longo do dia, com o objetivo de identificar outros possíveis envolvidos no esquema.
Esquema de agiotagem e licitações fraudulentas
Segundo as investigações, o empresário atuava como agiota e utilizava empresas de fachada para participar de licitações fraudulentas em prefeituras do interior da Bahia. Ele é suspeito de criar um sistema de empréstimos com juros abusivos, ameaçando de forma violenta quem se recusava a pagar.
Uma das vítimas, um idoso de 72 anos, relatou à polícia ter sido ameaçada com uma arma de fogo após não conseguir quitar um empréstimo com juros considerados extorsivos. Ainda conforme a apuração, o investigado possui três CPFs distintos registrados em seu nome, o que reforça as suspeitas de falsidade ideológica e ocultação de patrimônio.
Envolvimento de gestores públicos e empresas de fachada
As apurações também apontam que o suspeito é proprietário de postos de combustíveis e de uma empresa prestadora de serviços públicos, utilizada para direcionar e superfaturar licitações. Há indícios de que gestores municipais estariam envolvidos no esquema, manipulando processos licitatórios para beneficiar o grupo empresarial.
Os contratos sob suspeita envolvem serviços públicos e fornecimento de insumos, que teriam sido licitados com valores acima do mercado, gerando prejuízos aos cofres municipais. A Polícia Civil investiga ainda a lavagem de dinheiro proveniente dessas operações, que seriam revestidas de aparência legal por meio de empresas intermediárias.
Próximos passos da investigação
O material apreendido, composto por equipamentos eletrônicos e documentos, será analisado por peritos criminais do Deic, que devem identificar transações financeiras, comunicações e registros contábeis relacionados ao caso. As informações colhidas deverão comprovar o fluxo de dinheiro entre empresas e prefeituras, além de possíveis vínculos políticos.
Com base nos resultados das análises, a Polícia Civil pretende expandir a investigação para identificar novos integrantes da rede de agiotagem e corrupção, além de apurar a participação de servidores públicos. O nome do empresário não foi divulgado oficialmente, uma vez que o caso ainda está em fase de instrução sigilosa.
A Operação Usurarius integra o plano de combate a crimes financeiros e contra a administração pública conduzido pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), que tem ampliado as ações em municípios do interior do estado. As autoridades reforçam que o objetivo é desarticular esquemas de agiotagem institucionalizada e fraudes em licitações, que comprometem a aplicação de recursos públicos em áreas essenciais.