ACM Neto e a eterna espera por um rompimento que nunca chega

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Por Neto Terra Branca

Se política fosse novela, ACM Neto já estaria naquele capítulo repetido em que o personagem olha para o horizonte, música dramática ao fundo, esperando algo que nunca acontece. O objeto do desejo, desta vez, atende pelo nome de Ângelo Coronel — e o sonho é que o senador acorde um dia decidido a romper com o PT na Bahia.

Nos bastidores, o enredo se repete eleição após eleição. ACM Neto, sempre confiante, sempre otimista, aposta que “agora vai”. Agora o PT racha, agora a base se desmancha, agora alguém pula do barco. Mas o barco segue, enquanto a oposição continua na arquibancada, fazendo cálculos e esperando o apito final que não vem.
Ângelo Coronel, por sua vez, parece não ter recebido o roteiro. Segue aliado, circulando tranquilamente pela base governista e tratando os rumores com o mesmo entusiasmo de quem ignora mensagens em grupo de WhatsApp às seis da manhã.
O curioso é que, enquanto ACM Neto sonha com deserções alheias, mas seu grupo politico ainda tenta resolver seus próprios dilemas: falta de discurso novo, dificuldade de empolgar o interior e uma sensação persistente de déjà-vu eleitoral. Troca-se o slogan, muda-se o palanque, mas o resultado insiste em ser o mesmo.
A estratégia de torcer por um rompimento lembra mais aposta em loteria do que articulação política. Afinal, esperar que um senador largue uma base consolidada para embarcar numa oposição que ainda se reorganiza exige mais fé do que análise.
Enquanto isso, o PT agradece. Cada boato vira prova de que o adversário aposta mais no cansaço dos outros do que na própria força. E ACM Neto segue firme no papel de protagonista de um sonho recorrente: aquele em que o despertador toca, a realidade aparece, mas o roteiro insiste em não mudar.

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