
Resistência cultural: a escola que pulsa sem apoio público; Aos 91 anos, a missão solitária de um Doutor da música que luta pelo ensino de bateria.
Por Gilvan Rodrigues
Com mais de seis décadas dedicadas à música e à educação musical, Mestre Sabará é o nome que batiza o circuito oficial do Carnaval Antecipado de Itabuna, que compreende as avenidas Mário Padre e Aziz Maron e realizado neste final de semana,. Cofundador do Lordão — uma das principais bandas de baile da região —, sua trajetória é marcada pelo compromisso com o ensino.
Reconhecido por sua vasta contribuição cultural, Sabará é Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). Acumula, ainda, honrarias concedidas pela Academia Grapiúna de Letras (Agral), Clube do Poeta, Rotary Club, Unime e Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), além de prêmios como o Troféu Jupará, Mandacaru de Ouro e o Troféu Jorge Amado de Cultura e Arte.
Há décadas, o músico e professor mantém uma escola de bateria no Espaço Cultural Josué Brandão, em Itabuna. Por suas baquetas já passaram centenas de alunos que hoje brilham em palcos nacionais e internacionais.
No último sábado (24), tive a honra de participar da entrevista com o “Doutor Sabará” no programa Central de Política. Tive a doce tarefa de buscá-lo em sua residência e conduzi-lo até a emissora Interativa FM. Durante o trajeto de três quilômetros, pude vislumbrar um pouco mais de sua grandeza.
Um dos maiores expoentes da música no sul da Bahia, ele mantém intacta a paixão por lapidar novos talentos. “Tenho alunos hoje na Itália, na França e em vários países da Europa”, relata com orgulho. Apesar do prestígio, o mestre vive hoje com a renda de um salário mínimo da Previdência e mantém sua escola sem qualquer apoio do poder público.
Aos 91 anos, o natural de Banco Central (distrito de Ilhéus) demonstra lucidez admirável, embora enfrente desafios naturais da saúde em sua idade. Para além das notas musicais, Sabará exerce a cidadania: homem negro e orgulhoso de suas raízes, manifestou firme repúdio ao ouvir o radialista Neto Terra Branca noticiar o caso de discriminação racial envolvendo uma turista gaúcha em Salvador.
O Carnaval Antecipado de Itabuna alcançou grande visibilidade e projeção. No entanto, para a personalidade que dá nome à festa, o maior objetivo continua sendo um só: ajudar a formar talentos