Prefeito de Riachão demite coordenador do CAPS e, segundo relatos, o chama de “moleque” em reunião

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A demissão de Marcos Lopes, enfermeiro e coordenador do CAPS Margarida Vieira em Riachão do Jacuípe, causou forte repercussão no município. Especialista em Saúde Mental, Marcos atuava desde 2017 e foi peça-chave na humanização do serviço, atuando para dar o nome à unidade. Seu desligamento motivou um abaixo-assinado com cerca de 2.000 assinaturas, protestos populares e questionamentos na Câmara Municipal, mas sem resposta da gestão.

Ao ser pressionado por uma comissão popular, o prefeito Carlos Matos reagiu de forma polêmica: chamou Marcos de “moleque” em plena reunião, segundo relatos de pessoas presentes. A fala gerou revolta nas redes sociais, onde a população saiu em defesa do ex-coordenador.

Em entrevista, Marcos negou abandono de cargo, alegou nunca ter sido advertido oficialmente e afirmou que sempre teve uma relação profissional e respeitosa com a gestão. Disse estar surpreso com boatos de irregularidades e lamentou a forma como foi tratado após anos de dedicação.

Durante sua gestão, Marcos implantou o CAPS Itinerante e promoveu eventos com especialistas de renome, colocando Riachão em destaque na área de saúde mental. Ele segue atendendo de forma solidária a quem o procura, mesmo fora do serviço público.

Em entrevista ao Central de Política, Marcos Lopes fala de sua saída do governo e dos motivos que levaram a sua demissão. Leia trechos da entrevista.

Central de Política (CP): Marcos, sua demissão do CAPS gerou grande repercussão. Você pediu para sair?
Marcos Lopes (ML): Não. Fui desligado sem explicações formais. Desde 2017, coordenei o CAPS com compromisso e afeto. Ajudei a nomear a unidade em homenagem à Margarida, uma figura símbolo do sofrimento mental em nossa cidade. Jamais abandonaria o serviço.
CP: Há rumores sobre acusações de desvio de função. Você confirma?
ML: Nunca fui advertido. Sempre mantive relações profissionais com as gestões e secretarias. Se há algo que desabona minha conduta, desconheço. Acredito que sejam boatos infundados.
CP: O prefeito nomeou uma nova coordenadora. Qual o perfil ideal para o cargo?
ML: Não cabe a mim julgar minha substituta. Mas acredito que o coordenador deve ter formação específica e compromisso com a saúde mental. Quando assumi, era residente em Saúde Mental pela UFS, e aceitei por acreditar na transformação do serviço.
CP: Como você vê o apoio popular após sua saída?
ML: Me sinto profundamente grato. O apoio da população e o abaixo-assinado mostram que o trabalho realizado foi reconhecido. Implantei o CAPS Itinerante e promovemos fóruns com nomes importantes da saúde mental. O município teve avanços reais.
CP: Dizem que você continua atendendo pessoas. Isso é verdade?
ML: Sim. Sou servidor do SUS por vocação. Continuo ajudando, inclusive com atendimentos solidários. Também atuo em clínica particular, para quem opta por esse serviço.
CP: Como recebeu a fala do prefeito ao chamá-lo de “moleque” numa reunião?
ML: A princípio isto me incomodou muito, pois a minha relação com ele sempre foi muito profissional, de estima e respeito. Acredito que tenha sido um momento de infelicidade nas palavras proferidas. Meu compromisso com Riachão e o CAPS é público e pode ser medido pelas assinaturas e apoio popular.
CP: E agora, fora do serviço público, qual seu papel?
ML: Continuarei servindo como puder. Acredito na saúde pública de qualidade. Embora fora do sistema, estarei sempre disponível para colaborar.

Nosso espaço está aberto caso o prefeito queira postar uma nota sobre o assunto.














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