Você sabe por que seu município não se desenvolve?

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Por: Neto Terra Branca (Radialista e Publicitário )


Há algum tempo venho me fazendo uma pergunta que, talvez, muitos moradores do interior também já tenham se feito: por que certos municípios parecem condenados à estagnação? O tempo passa, os prefeitos mudam (ou nem tanto), mas os indicadores sociais continuam baixos — especialmente na educação e na geração de emprego e renda. O IDEB permanece abaixo da média, não surgem novas escolas técnicas, não se instalam indústrias, nem há espaço para inovação. Por quê?
Buscando respostas, decidi mergulhar na história política de alguns municípios, especialmente os que permanecem com baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e sem grandes investimentos públicos ou privados. O que encontrei foi um padrão que se repete mais do que deveria: cidades presas ao domínio de apenas duas famílias políticas, que se alternam no poder há décadas.
Essa polarização engessada sufocou o nascimento de novas lideranças, impediu debates mais amplos e, pior, criou uma estrutura política onde o poder gira em torno de interesses familiares e não do coletivo. A máquina pública virou a principal — ou única — fonte de emprego, fazendo com que a dependência da prefeitura se tornasse uma armadilha silenciosa para o desenvolvimento.
Esse modelo tem consequências sérias: sem diversidade política, sem ideias novas e sem alternância real de poder, a gestão pública se acomoda. Prefeitos e vereadores deixam de pensar em projetos estruturantes de médio e longo prazo. Falta ousadia, planejamento e, sobretudo, vontade de transformar. Afinal, quando o eleitor depende do emprego público ou de favores políticos para sobreviver, torna-se refém de um sistema que perpetua a mediocridade.
Enquanto isso, cidades com gestões abertas ao novo, que apostaram em educação, empreendedorismo, transparência e desenvolvimento regional, colhem frutos concretos. Atraem empresas, qualificam sua população, melhoram indicadores sociais e criam ambientes onde a juventude enxerga oportunidades no próprio território — e não apenas nas capitais ou em outros estados.
O recado que fica é direto: não existe desenvolvimento sem democracia real. Uma cidade não cresce quando seu povo é forçado a escolher entre os mesmos dois lados há 30 anos. A pluralidade política é essencial para o avanço. É preciso oxigenar a política local, abrir espaço para novos nomes e ideias, fortalecer o papel da sociedade civil e dos meios de comunicação, e estimular o protagonismo cidadão.
É hora de refletir: será que o atraso do seu município não está sendo construído — e mantido — por quem diz estar “trabalhando por ele”?

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