PREFEITURA DE RIACHÃO DO JACUÍPE IMPROVISA SHOW DE LAMBASSAIA E COLOCA EM SEGUNDO PLANO A CULTURA DO TRADICIONAL 1º DE MAIO

O que era para ser mais uma celebração da história, da luta e da identidade do trabalhador rural acabou deixando um sentimento de revolta em quem acompanha o tradicional 1º de Maio de Riachão do Jacuípe há décadas. A festa, construída pelo povo da zona rural e marcada pelo samba de roda, pelas manifestações populares e pelo chapéu vermelho, este ano foi atravessada por uma decisão da gestão municipal que, para muitos presentes, simbolizou mais um passo no processo de descaracterização de um dos eventos mais tradicionais do município.
Desde as primeiras horas da manhã, trabalhadores e famílias da zona rural chegaram para manter viva uma tradição construída com esforço, identidade e pertencimento. Enquanto o Samba de Roda Sufoco da Fumaça se apresentava e as Marias Bonitas se preparavam para subir ao trio, tudo seguia dentro do espírito que sempre marcou a festa.
Mas o clima mudou quando, sem qualquer aviso, a banda Lambassaia, patrocinada pela Prefeitura, começou a afinar instrumentos e disputar espaço sonoro com quem ainda estava no palco. O que já era constrangedor ficou ainda pior quando as Marias Bonitas, depois de horas de preparação, figurino e expectativa, não conseguiram sequer completar 20 minutos de apresentação. O som foi cortado, e elas tiveram que deixar o trio sem concluir o show.
Logo em seguida, começou a apresentação de Lambassaia. A praça rapidamente mudou de perfil: jovens começaram a chegar em massa, enquanto muitos trabalhadores rurais, principalmente os mais velhos, começavam a deixar o espaço. O tradicional chapéu vermelho, símbolo histórico do 1º de Maio, foi aos poucos desaparecendo em meio ao público de um evento cada vez mais distante de suas origens.
A discussão não é sobre a banda. O questionamento é sobre a postura da atual gestão municipal, que parece colocar o entretenimento de massa acima da preservação de uma festa que nasceu da luta sindical, da cultura popular e da resistência do homem e da mulher do campo.
No vídeo que circula nas redes sociais, o próprio presidente do sindicato aparece indignado, interrompe a programação e cobra respeito e mais tempo para a cultura popular diante da entrada antecipada do som de Lambassaia — uma cena que resume o sentimento de quem presenciou a tradição sendo colocada em segundo plano.
O trabalhador rural não pode virar figurante da própria festa. O 1º de Maio de Riachão do Jacuípe tem história, tem identidade e merece respeito.