Instituto Biofábrica rebate acusações da ANPC e denuncia invasão de área técnica

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Instituição nega presença de vírus do mosaico em mudas e afirma que presidente da associação de produtores descumpriu protocolos de biossegurança durante visita não autorizada

O Instituto Biofábrica da Bahia divulgou, nesta sexta-feira (8), uma nota oficial de repúdio assinada pela direção entidade, contra declarações da presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), Vanuza Lima Barroso. A polêmica envolve acusações de contaminação de mudas e uma suposta entrada irregular da dirigente em áreas de preservação fitossanitária do Instituto no último dia 5 de maio.

Acusações de invasão e risco sanitário

Segundo o Instituto, a presidente da ANPC teria acessado áreas de jardins clonais e campos de multiplicação sem autorização e fora dos protocolos de segurança. No momento da entrada, colaboradores realizavam a supressão de cacaueiros — uma prática rotineira para a renovação de material genético.
A Biofábrica alerta que a atitude colocou em risco a segurança das plantas, já que não foram seguidos os procedimentos de biossegurança nem utilizados os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) exigidos. O caso já é alvo de medidas judiciais por parte do Instituto.

Medidas Judiciais e Boletim de Ocorrência
A reação do Instituto Biofábrica não ficou restrita à nota de repúdio. A entidade confirmou que já registrou um Boletim de Ocorrência contra a representante da ANPC. No documento, o Instituto solicita formalmente a apuração dos crimes de dano, calúnia e difamação.

De acordo com o corpo jurídico da instituição, a acusação de disseminação de pragas (calúnia) e o prejuízo à imagem institucional (difamação), somados ao risco causado pela entrada indevida nas áreas técnicas (dano), fundamentam a queixa-crime. “O fato já é objeto de medidas legais cabíveis, as quais já foram encaminhadas às autoridades”, afirma a diretoria em nota.

Controvérsia sobre o Vírus do Mosaico

O ponto central do embate é a acusação, por parte da ANPC, de que a Biofábrica estaria distribuindo mudas contaminadas com o vírus do mosaico (CaMMV). O Instituto classificou as afirmações como “levianas e desprovidas de respaldo técnico-científico”.
Para sustentar a defesa, a Biofábrica apresentou quatro pontos técnicos:

  1. Inexistência de laudos: Não há exames laboratoriais que comprovem o vírus em áreas geridas pelo Instituto.
  2. Falta de protocolo oficial: Atualmente, não existe no Brasil um protocolo validado pelo Ministério da Agricultura (MAPA) para a detecção oficial do CaMMV.
  3. Status da praga: O vírus não integra a lista oficial de pragas quarentenárias do país, sendo ainda objeto de estudo pela Ceplac.
  4. Fiscalização: Todas as atividades da unidade são monitoradas por órgãos reguladores, como a ADAB e o próprio MAPA.

  5. Histórico e Reputação

Com quase 30 anos de atuação na cadeia do cacau, o Instituto Biofábrica reafirmou seu compromisso com a sanidade e a rastreabilidade das mudas produzidas. Em nota assinada pela diretoria executiva e pela responsabilidade técnica, a instituição lamentou a propagação de informações não verificadas que podem causar insegurança no setor produtivo.
“Conclamamos a ANPC a adotar uma postura responsável, baseada em evidências técnicas, evitando a propagação de acusações que fragilizam o setor cacaueiro nacional”, diz o comunicado.
Até o fechamento desta matéria, a Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC) não havia se manifestado sobre as medidas legais citadas pela Biofábrica.

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