Petroleiros e Petroleiras de todo o país referendamcandidatura de Deyvid Bacelar a deputado federal

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Congresso da FUP aposta também na pré-candidatura de Radiovaldo Costa para a Assembleia Legislativa da Bahia

Melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora é o principal objetivo dos sindicalistas Radiovaldo Costa e Deyvid Bacelar, ambos pré-candidatos às vagas de deputado estadual e federal, respectivamente, pelo Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia. Os nomes dos dois representantes foram referendados na tarde de ontem (20/7) por petroleiros e petroleiras de todo o Brasil durante a abertura do XX Congresso Nacional da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (CONFUP), realizado no Clube de Empregados da Petrobras (CEPE), em Stella Mares, na capital baiana. O encontro marca a despedida de Deyvid Bacelar da direção da FUP e a eleição de Cibele Vieira, primeira mulher a assumir a coordenação geral dessa organização sindical.
Na avaliação de Deyvid Bacelar, é fundamental que representantes sindicais possam trazer para a política as pautas que mudam a vida do trabalhador. “O Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas tomam decisões que definem salário, jornada, transporte e energia de 215 milhões de brasileiros. Quando essas casas são ocupadas apenas por empresários, herdeiros políticos e lobbies, o debate fica distante da realidade de quem bate cartão”, defendeu Bacelar.
Por isso, segundo ele, a presença de representantes sindicais na política institucional não é um detalhe. “É garantia de que a voz de quem trabalha chegue onde as leis são escritas”, frisou.
Ao lado de Deyvid, o pré-candidato a deputado estadual, Radiovaldo Costa, deu como exemplo a luta pelo fim da escala 6×1 (direito de trabalhar seis dias para folgar um), que já foi aprovada na Câmara e hoje está travada no Senado. “Para os sindicatos, ela é desumana, anacrônica e insustentável. Esgota o corpo, destrói a convivência familiar e faz o trabalhador e trabalhadora adoecerem mentalmente. Países que reduziram a jornada ganharam produtividade”, afirmou.
Segundo Deyvid Bacelar, o caminho que o Brasil está demorando tanto de seguir já foi trilhado por nações progressistas. “Na França, a jornada de 35 horas semanais é lei desde 2000. Na Alemanha, metalúrgicos conquistaram a semana de 28h com redução proporcional de salário em acordos setoriais. Em Portugal foi aprovada em 2023 a semana de 4 dias em teste no serviço público. Na Espanha e na Bélgica já permitem ao trabalhador optar por 4 dias de trabalho sem corte salarial”, enumerou.
Para os dois representantes dos petroleiros, ter sindicalistas no Congresso significa ter quem apresente esses dados, pressione relatores e impeça que o texto seja esvaziado por emendas patronais. Sem eles, a PEC 221/2019, que prevê o fim da escala 6 x 1, corre risco de virar “letra morta”.
Outra bandeira defendida pelos dois pré-candidatos é a Tarifa Zero no transporte público. “Esta é uma bandeira que só avança com pressão popular organizada. E nós a defendemos por três motivos concretos. Primeiro, porque transporte é custo fixo que come até 20% do salário mínimo. Segundo, porque ônibus e metrô vazios em horário de folga são prejuízo para a cidade inteira: mais carros, mais trânsito, mais poluição. Terceiro, porque cidades como Maricá-RJ, Caucaia-CE e Vargem Grande Paulista-SP já provaram que é viável”, ressaltou Deyvid.
Radiovaldo endossa a ideia, lembrando que o financiamento vem da realocação de subsídios, verba de publicidade e arrecadação sobre combustíveis e grandes empresas. “Onde foi implantada, aumentou o acesso ao emprego, à escola e à saúde. Para o trabalhador, é aumento real de renda sem depender de reajuste”, frisou Radiovaldo.
Abordando a questão da transição energética justa e o papel da agricultura familiar, Bacelar ressaltou que a crise climática exige mudar a matriz energética, mas a transição sem justiça social vira desemprego e carestia. “A transição energética justa tem três pilares. O primeiro é reduzir o preço dos combustíveis reestatizando as refinarias que foram privatizadas nos governos Temer e Bolsonaro e devolvendo a Petrobras Distribuidora para os braços da Petrobras. O segundo é incluir o trabalhador do campo. A produção de oleaginosas como mamona, pinhão-manso e soja para o biodiesel não pode ficar só nas mãos do agronegócio. A agricultura familiar tem terra, mão de obra e capilaridade para produzir. Inseri-la na cadeia do biodiesel garante renda no interior, desconcentra lucro e barateia o combustível”, explicou Bacelar.
O terceiro pilar, segundo Deyvid, é gerar emprego verde. Na sua visão, um painel solar, energia eólica e biocombustível precisam de metalúrgico, eletricista, caminhoneiro e técnico agrícola. Ou seja: novos direitos trabalhistas, não precarização.
“Sem representantes que conheçam a porteira da roça e a porta da fábrica, o Brasil corre o risco de fazer uma transição que beneficia só grandes fundos e deixa o trabalhador pagando a conta”, apontou.
Radiovaldo acrescentou que “ter sindicato no parlamento não é aparelhar o Estado, é devolver ao Estado o endereço de quem ele deveria servir primeiro”.
“É ter quem diga na tribuna que 6×1 mata, que ônibus caro isola, que energia cara empobrece e que o campo pode ser parte da solução climática”, afirmou Radiovaldo.
Na avaliação de Deyvid Bacelar, países que avançaram em direitos trabalhistas, transporte público e energia limpa fizeram isso com forte presença sindical nas decisões. O Brasil não será diferente.
“Democracia só se completa quando quem vive o problema também vota a solução”, argumentou Bacelar.
O CONFUP tem como tema “Brasil Soberano – Energia para um Mundo Melhor” e reúne todos os sindicatos ligados à FUP no CEPE de Stella Mares até o dia 24/7.

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