Jaques Wagner ofereceu gabinete para realizar reunião “protegida e discreta” com representantes do Master, diz PF

A Polícia Federal (PF) disse que o senador Jaques Wagner (PT-BA) utilizou seu gabinete no Senado para realizar reuniões com representantes do Banco Master. As informações foram divulgadas em documentos que se tornaram públicos após o ministro André Mendonça, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), revogar o sigilo da investigação que apura possíveis vínculos entre o parlamentar e empresários da instituição financeira.
Segundo a PF, as constatações foram encontradas no celular de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com a colunista Manoela Alcântara, do Metrópoles, foram identificadas mensagens trocadas entre Lima e Wagner para agendar encontros no gabinete do petista.
Os investigadores encontraram também registros de pelo menos duas reuniões realizadas. Uma em 30 de abril e outra em 27 de agosto de 2024. Ainda foi localizada uma conversa sobre um encontro previsto para 19 de abril do mesmo ano, que acabou não acontecendo.
Em mensagens trocadas na noite de 29 de abril, Jaques Wagner e Augusto acertam os detalhes da reunião marcada para o dia seguinte. A PF explicou que às 22h18 o senador enviou um áudio sugerindo que o encontro ocorresse em seu gabinete, por considerá-lo um ambiente mais “reservado”. Na gravação, ele afirma que a reunião contaria com a participação do advogado-geral da União, Jorge Messias.
No áudio, o ex-governador da Bahia declara que Messias precisou alterar o horário do compromisso porque havia sido chamado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e propôs que o encontro ocorresse durante o horário de almoço.
O senador também afirma que o gabinete seria o local “mais protegido e discreto” para todos os participantes e orienta Augusto sobre a entrada no Senado, sugerindo que ele poderia evitar o processo de identificação ao chegar junto com o parlamentar.