Clara Conceição critica ataques misóginos contra Lídice da Mata e defende permanência da deputada na política

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A presidente do Coletivo Baobá de Jovens Negros, Clara Conceição, criticou os ataques feitos pelo candidato Gegê Magalhães à deputada federal Lídice da Mata, classificando como misógina a tentativa de questionar a permanência da parlamentar na política em razão de sua idade e de sua longa trajetória pública.

Para Clara, a experiência acumulada por mulheres na política não deve ser tratada como motivo para aposentadoria, enquanto, para os homens, os mesmos anos de atuação são frequentemente apresentados como sinônimo de experiência e conhecimento.

“Quando foi que a idade virou um critério para poder construir um projeto político? E por que a permanência de uma mulher por tantos anos na política vira a pauta de que ela tem que se aposentar? Já com os homens, isso é tido como uma longa experiência ou como alguém que tem muito a nos ensinar?”, questionou.

Clara destacou ainda a trajetória de Lídice da Mata, lembrando que sua permanência na vida pública é resultado de décadas de atuação política e de confiança construída junto ao eleitorado.

“Lídice da Mata não está na política há tanto tempo por acaso. A sua permanência é resultado de lutas históricas e de um processo coerente que foi construído há muitos anos, baseado na confiança de quem escolheu e de quem continua escolhendo seu nome”, afirmou.

A presidente do Coletivo Baobá também ressaltou o pioneirismo de Lídice, citando sua eleição como primeira mulher presidente do Diretório Central dos Estudantes, sua atuação como deputada federal constituinte e sua trajetória como primeira e única mulher eleita prefeita de Salvador.

A jovem líder também enfatizou o papel de Lídice na ampliação da participação feminina nos espaços de poder. Segundo ela, a parlamentar não busca ser uma exceção, mas contribuir para que outras mulheres também ocupem posições de decisão.

“Lídice foi a primeira e única prefeita de Salvador e não abre mão de puxar outras mulheres com ela, porque ela não quer ser a única. Ela quer ver mais de nós nos espaços de poder”, disse.

Ao comentar diretamente as críticas de Gegê Magalhães, Clara afirmou que o debate político é legítimo, mas deve seguir os mesmos critérios para todos os candidatos.

“A crítica à minha deputada é legítima, mas essa crítica deve valer para todas as pessoas que estão se candidatando. Agora, mandar uma mulher se aposentar, uma mulher com uma trajetória que deu a sua vida à política, já é demais”, afirmou.

Para Clara, ataques que associam idade à incapacidade reforçam preconceitos contra mulheres que permanecem atuantes na vida pública. “Mulheres não precisam de homens para autorizar sua permanência nos espaços. Elas precisam de respeito. E, quando houver mulheres dispostas a ocupar esses espaços, a lutar e a representar quem acredita nelas, elas continuarão”, declarou.

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