MAIS DE 200 MIL BARRIS COM RESÍDUOS RADIOATIVOS FORAM DESCARTADOS NO ATLÂNTICO; CIENTISTAS CONFIRMAM VAZAMENTOS

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A quase 4.700 metros de profundidade no Atlântico Nordeste, cientistas encontraram sinais de um problema deixado por décadas no fundo do oceano. Barris contendo resíduos radioativos, descartados por países europeus ao longo do século passado, apresentam corrosão e, em alguns casos, já liberaram parte do conteúdo no ambiente marinho.

Segundo o Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS), mais de 200 mil barris foram lançados deliberadamente nas planícies abissais do Atlântico Nordeste. Os descartes coordenados entre 1967 e 1982 envolviam resíduos de baixa e média atividade radioativa, armazenados em recipientes com materiais como cimento, betume e resina.

O tamanho da área ajuda a dimensionar o desafio. O projeto NODSSUM investiga uma região de aproximadamente 14,5 mil km². Em 2025, um robô submarino examinou cerca de 165 km² — menos de 2% do total — e localizou mais de 3,3 mil barris.

A confirmação mais importante veio em 2026. Entre maio e junho, cerca de 30 pesquisadores retornaram à região a bordo do navio Pourquoi Pas, com apoio do submarino tripulado Nautile. Em 20 mergulhos, foram coletadas amostras de água, sedimentos, microrganismos e animais próximos aos recipientes.

Os instrumentos detectaram radionuclídeos como cobalto-60 e nióbio-94 em níveis acima do esperado, além de césio-137 e amerício-241, embora estes últimos também possam ter outras origens, como testes nucleares e acidentes registrados ao longo do século XX.

Outro ponto que chamou atenção dos pesquisadores foi a presença de vida marinha diretamente sobre os barris. Anêmonas, esponjas e crustáceos passaram a ocupar essas estruturas, o que agora levanta uma nova pergunta: até que ponto os elementos radioativos podem atingir os sedimentos e chegar aos organismos vivos?

Apesar da confirmação de vazamentos, os cientistas afirmam que o risco ambiental ainda não está totalmente definido. As primeiras medições apontam níveis que, até agora, não exigem medidas imediatas de radioproteção. A principal preocupação está no efeito acumulado ao longo dos anos e na possibilidade de contaminação da cadeia marinha.

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