OpenAI alerta PF sobre ameaças de morte a Lula no ChatGPT
A OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, alertou a Polícia Federal (PF) sobre conversas em que pelo menos dois usuários manifestaram intenção de atacar ou ameaçar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. A empresa identificou possíveis riscos de violência grave e encaminhou informações às autoridades. Os dados foram divulgados pela Folha de S.Paulo em reportagem publicada nesta quinta-feira (15), com base em documentos obtidos pelo jornal.

No início de outubro, a PF enviou os registros ao Ministério da Justiça para que o órgão avalie a abertura de dois inquéritos. Um deles apuraria possíveis crimes de ameaça e injúria, enquanto o outro investigaria ameaças contra Lula. A OpenAI informou que comunica às autoridades situações em que identifica risco de danos a outras pessoas e também notificou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), “em linha com o plano de conformidade eleitoral”. O Ministério da Justiça e a PF não responderam aos questionamentos da reportagem.
Conversas incluíam ameaças contra Lula
Um dos casos envolve mensagens enviadas ao ChatGPT desde janeiro por um homem. Em setembro, ele relatou que estava no centro da cidade onde mora quando viu Lula em um palco montado para a campanha eleitoral, a cerca de 400 metros de distância. Depois, afirmou que tinha vontade de atirar na cabeça do presidente e perguntou “o que acontece se eu matar o presidente” e “quantos anos eu pegaria [de pena]”. Ele também enviou a imagem de um local que, segundo a reportagem, teria um ângulo favorável para um possível ataque.
No alerta encaminhado às autoridades, a OpenAI destacou que, embora o usuário afirmasse que não agiria e não possuía arma, ele mencionou o uso de um fuzil de precisão e fez referências a uma rota de fuga, binóculos e um AR-15 com luneta. A empresa também relatou que o homem havia enviado imagens de armas brancas, falado sobre agredir parentes e compartilhado símbolos nazistas. Em outra conversa, disse que faria um massacre caso tivesse dinheiro e enviou uma receita de explosivo, além de mencionar ataques a centros médicos.
Segundo a PF, o material reunia ameaças contra outras pessoas, incluindo Lula, referências a armas de fogo e armas brancas, “fantasias violentas” e manifestações favoráveis a regimes autoritários. Os documentos obtidos pela Folha, porém, não apresentam as respostas dadas pelo ChatGPT durante as conversas.
Conta foi encerrada após alerta
No início de outubro, a OpenAI encerrou a conta do usuário e encaminhou os dados à PF. A empresa pediu que as informações fossem avaliadas de forma “independente pelas autoridades policiais competentes”. Também justificou o compartilhamento dos registros como uma medida para “proteger direitos e bens e combater o uso abusivo dos serviços e sistemas, em conformidade com os Termos de Serviço e a Política de Privacidade”.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, encaminhou o caso ao ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, responsável por decidir sobre a abertura de investigação por ameaça. O crime prevê detenção de um a seis meses ou multa.