
Lula questionou o adversário sobre a inspiração econômica argentina; Flávio não respondeu diretamente à cobrança e defendeu sua agenda de redução de gastos
O modelo econômico adotado pelo presidente argentino Javier Milei entrou no centro do primeiro debate do segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite deste domingo (18), na Band.
Lula questionou Flávio sobre a defesa, feita por integrantes de sua campanha, de medidas inspiradas na experiência argentina, marcada por forte ajuste fiscal, redução de gastos públicos e revisão do tamanho do Estado. O presidente pressionou o adversário a explicar quais medidas de Milei pretende reproduzir no Brasil.
Flávio não respondeu diretamente à comparação feita por Lula naquele momento do debate e voltou a defender uma política de contenção das despesas públicas e maior eficiência do Estado. A aproximação de sua proposta econômica com o modelo argentino não surgiu apenas no confronto desta noite: a própria equipe econômica da campanha já citou Milei publicamente como referência.
Lula, por outro lado, argumentou que o Brasil deve construir um modelo próprio de desenvolvimento, combinando crescimento econômico, geração de emprego, investimentos e políticas sociais. O petista também citou projeções internacionais para defender o desempenho da economia brasileira.
O embate sobre Milei expõe uma das diferenças mais claras entre os projetos econômicos apresentados pelos candidatos nesta reta final: de um lado, uma proposta de ajuste mais agressivo das contas públicas; do outro, a defesa de crescimento econômico associado à manutenção de políticas públicas e investimentos.