
Requerida pela deputada Lídice da Mata e pelo deputado Daniel Almeida, cerimônia destacou o legado de quatro baianos para a ciência, a democracia, o pensamento intelectual e a preservação da história.
A Câmara dos Deputados realizou uma Sessão Solene em homenagem aos 100 anos de nascimento de quatro importantes personalidades baianas: Roberto Santos, Waldir Pires, Milton Santos e Luís Henrique Dias Tavares. A iniciativa foi proposta pela deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA) e pelo deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA).
A cerimônia reuniu familiares dos homenageados e representantes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), instituição com a qual os quatro personagens tiveram relação direta. Participaram presencialmente Francisco Waldir Pires de Souza Filho, filho de Waldir Pires; Jamile Borges da Silva, vice-reitora da UFBA; e Cristiana Santos, professora e filha de Roberto Santos. Luís Guilherme Pontes Tavares, jornalista e filho de Luís Henrique Dias Tavares, participou remotamente.
Em seu discurso, Lídice da Mata destacou a contribuição de cada um dos homenageados para a história da Bahia e do Brasil. Roberto Santos foi médico, pesquisador, professor, reitor da UFBA e governador da Bahia. Filho de Edgard Santos, primeiro reitor da universidade, dedicou sua trajetória à pesquisa científica, à educação e à saúde pública. Também presidiu o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e foi ministro da Saúde.
Waldir Pires teve uma trajetória marcada pela defesa da democracia e pelo enfrentamento à ditadura militar. Advogado e político, foi governador da Bahia e ocupou ministérios nos governos democráticos. Lídice lembrou sua participação na campanha de Waldir ao governo estadual, em 1986, mesmo ano em que foi eleita deputada federal constituinte, integrando a Assembleia Nacional responsável pela elaboração da Constituição de 1988.
O geógrafo Milton Santos, intelectual negro nascido em Brotas de Macaúbas, formou-se em Direito pela UFBA, em 1948, mas construiu sua trajetória acadêmica na Geografia. Reconhecido internacionalmente, publicou mais de 40 livros e recebeu, em 1994, o Prêmio Vautrin Lud, considerado uma das mais importantes distinções da área. Sua obra refletiu sobre as desigualdades sociais, o território e os efeitos da globalização.
Já o historiador Luís Henrique Dias Tavares dedicou sua vida à pesquisa e à preservação da memória da Bahia. Professor, escritor e integrante da Academia de Letras da Bahia, tornou-se referência nos estudos sobre a Independência do Brasil na Bahia e movimentos históricos como a Revolta dos Búzios.
Durante a sessão, Luís Guilherme Pontes Tavares ressaltou o compromisso de seu pai com a liberdade e com a luta do povo africano e afro-brasileiro. Segundo ele, os quatro homenageados tinham uma relação direta com a UFBA, mas a trajetória de Luís Henrique foi especialmente marcada pela determinação de contribuir para a conquista da liberdade.
Francisco Waldir Pires de Souza Filho destacou a dimensão humanista de seu pai. “Waldir Pires, meu pai, era sobretudo um humanista, consciente de todas as mazelas da humanidade, mas tinha uma esperança e uma crença inabalável no ser humano. Por isso dedicou sua vida à luta política, como um instrumento do amor”, afirmou.
A vice-reitora da UFBA, Jamile Borges da Silva, observou que a homenagem também representa uma oportunidade de refletir sobre os desafios atuais da sociedade. Em sua fala, associou o legado de Milton Santos à reflexão sobre o país que estamos construindo; o de Roberto Santos, à universidade e à ciência que oferecemos à população; o de Waldir Pires, à democracia que estamos dispostos a defender; e o de Luís Henrique, à importância de reconhecer as histórias e as vozes que ainda permanecem ausentes.
Para a professora Cristiana Santos, filha de Roberto Santos, a cerimônia foi um momento de gratidão. Ela destacou que os quatro homenageados foram homens públicos que honraram o Brasil e deixaram exemplos de valores, dedicação e compromisso. Também manifestou o desejo de que seus ensinamentos e suas trajetórias permaneçam vivos para as próximas gerações.
Ao encerrar a sessão, Lídice da Mata ressaltou que reconhecer essas personalidades é também valorizar a educação pública, a ciência, a memória, a liberdade e a democracia. Para a parlamentar, preservar essas trajetórias significa oferecer às novas gerações referências de compromisso com a sociedade e com o país.
“Uma sociedade que reconhece seus grandes personagens também reconhece o valor de sua própria história. Não podemos construir o futuro sem saber de onde viemos, sem valorizar aqueles que abriram caminhos e sem preservar a memória de quem ajudou a construir o país que somos”, destacou.