EX-VEREADOR DE AURELINO LEAL É CONDENADO A MAIS DE 45 ANOS POR FEMINICÍDIO; ELE TENTOU SIMULAR MORTE NATURAL DA COMPANHEIRA

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João Pereira Sena foi condenado pela morte de Cleonice Pereira dos Santos, de 47 anos, e por tentar alterar as circunstâncias do crime para dificultar as investigações. Defesa vai recorrer da sentença.

A Justiça condenou o ex-vereador de Aurelino Leal, João Pereira Sena, de 68 anos, a 45 anos, quatro meses e 12 dias de prisão pelo feminicídio da companheira, Cleonice Pereira dos Santos, de 47 anos. O julgamento ocorreu na terça-feira (3), no Tribunal do Júri de Ubaitaba, no Sul da Bahia.

O crime aconteceu em 31 de dezembro de 2025, na zona rural de Aurelino Leal. Segundo as investigações, Cleonice foi morta por estrangulamento. Após o crime, o ex-parlamentar levou o corpo da companheira ao hospital e alegou que ela havia sofrido um mal súbito.

A versão apresentada por ele, entretanto, não correspondeu às evidências reunidas durante a investigação.

TENTATIVA DE ENCOBRIR O CRIME TAMBÉM RESULTOU EM CONDENAÇÃO

Durante o julgamento, os jurados reconheceram que Cleonice foi vítima de feminicídio cometido em contexto de violência doméstica, com emprego de asfixia e recurso que dificultou sua defesa.

O Conselho de Sentença também concluiu que o ex-vereador tentou alterar a cena do crime para prejudicar as investigações. Entre as condutas apontadas estão a ocultação do celular da vítima e a apresentação de uma versão falsa sobre as circunstâncias da morte.

Por fraude processual, João Pereira Sena recebeu outra condenação: seis meses de detenção e pagamento de multa.

A sentença também considerou o histórico de agressões sofridas por Cleonice e desentendimentos patrimoniais entre o casal, relacionados à negociação de um terreno.

EX-VEREADOR CONTINUARÁ PRESO

João Pereira Sena, que exerceu mandato na Câmara Municipal de Aurelino Leal entre 2009 e 2012, foi preso em janeiro deste ano, na região de Catulé, zona rural do município.

Durante o julgamento, ele negou ter cometido o crime. A defesa pediu sua absolvição, mas a tese foi rejeitada pelos jurados.

A Justiça determinou o cumprimento inicial da pena em regime fechado e negou ao condenado o direito de recorrer em liberdade. A defesa informou que apresentará recurso.

O julgamento representa uma resposta judicial à morte de Cleonice, em um caso marcado por violência doméstica, tentativa de ocultação do crime e um histórico de agressões apontado pelas investigações.

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