Em entrevista, Carlos Matos (UB) quer impedir que o governo construa escola no Clube de Campo Mandacaru e ameaça fechar hospital.

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O atual prefeito de Riachão, preocupado com a desapropriação de prédio administrado

pela família Matos, quer impedir a construção da Escola de Tempo Integral e ainda

ameaça fechar hospital Regional caso o governo persista.

O clima político em Riachão esquentou após declarações polêmicas do atual prefeito,

Carlinhos Matos. Em entrevista concedida à Rádio Jacuípe — emissora que também é

administrada pela família Matos —, o gestor municipal se posicionou fortemente contra

a decisão do governo do Estado de desapropriar o antigo clube de campo Mandacaru

para a construção de uma nova escola.

Segundo o prefeito, a medida tem viés persecutório contra a sua família. Ele alega que

existem “inúmeros terrenos em Riachão, maiores do que a área do Mandacaru, para

construir a escola”. Matos acusa o governo estadual de agir sob influência de terceiros

no município para prejudicá-lo politicamente: “quer desapropriar o clube de campo

Mandacaru, para atingir a memória de Valfredo Carneiro de Matos, para atingir

a família Matos, para me atingir, para atingir Evandro”.

Contudo, fontes ligadas ao governo estadual indicam que a escolha do Mandacaru não

possui viés político, mas sim técnico. O local foi selecionado para sediar a Escola de

Tempo Integral justamente por estar completamente desativado há mais de 15 anos,

especificamente desde 31 de dezembro de 2008. Essa condição de abandono do

imóvel justifica a desapropriação para fins de interesse social e educacional, sem

causar impacto imediato em atividades econômicas ou sociais produtivas na área.Apesar da justificativa técnica sobre o estado de abandono do clube, Carlinhos Matos,

em tom de retaliação, declarou na entrevista que, caso o Estado avance com a tomada

do imóvel desativado da sua família, ele tomará medidas drásticas contra uma unidade

de saúde que está em pleno funcionamento.

“Se o governo do Estado levar adiante a desapropriação do Mandacaru, eu

também vou levar adiante a desapropriação do Hospital Regional”, declarou o

prefeito. Ele tenta justificar a possível ação contra o hospital afirmando que a unidade

hoje “pertence a um grupo de fora, que tomaram posse de algo que é do Município

de Riachão”.

Ainda na entrevista, Carlinhos justificou a necessidade de espaço físico para construir novas

estruturas de saúde no município, como uma clínica de atendimento à mulher, um

centro de reabilitação, um centro de especialidades e um núcleo para tratamento de

feridas. Segundo o gestor, com exceção da clínica da mulher que ainda não opera, os

serviços atuais “funcionam precariamente, em prédios que não têm a mínima

estrutura”.

O prefeito não poupou críticas à reação da população na internet que defende a

construção da escola. Ele classificou os críticos como “hipócritas da rede social”,

reclamando que essas pessoas se manifestaram contra ele na questão do hospital, mas,

no entanto, “vibraram com a desapropriação do clube de campo Mandacaru”.

Áudio da Entrevista:

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