Justiça condena policiais a mais de 37 anos de prisão por assassinato de professores em Porto Seguro

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Após 17 anos de espera, o Tribunal do Júri de Itabuna encerrou, na noite desta quarta-feira (6), um dos capítulos mais longos e emblemáticos da história do judiciário regional. Os policiais militares Sandoval Barbosa dos Santos e Joilson Rodrigues Barbosa foram condenados pela morte dos professores Álvaro Henrique Santos e Elisney Pereira Silva, ocorrida em 2009, em Porto Seguro.

A sentença, proferida após longo debate entre acusação e defesa, impôs a cada um dos réus uma pena total de 38 anos e seis meses de reclusão em regime inicialmente fechado.

O Crime e o Julgamento

As vítimas eram lideranças sindicais e foram assassinadas em uma emboscada na rodovia que liga Porto Seguro a Itabela. Álvaro Henrique, à época presidente da APLB-Sindicato, liderava movimentos grevistas e denúncias de irregularidades na gestão municipal, o que aponta para um crime de motivação política.

O julgamento foi transferido de Porto Seguro para Itabuna (desaforamento) para assegurar a imparcialidade dos jurados, dada a forte influência política e a comoção social gerada pelo caso no extremo sul do estado.

Desfecho Judicial

De acordo com a decisão:

Pena por Álvaro Henrique: 21 anos, 10 meses e 15 dias.

Pena por Elisney Pereira: 16 anos, 7 meses e 15 dias

Apesar da condenação dos executores, o desfecho gerou reações mistas entre familiares e colegas de profissão. Isso porque o suposto mandante do crime, o publicitário Edésio Lima, não sentou no banco dos réus. Ele foi beneficiado por um habeas corpus concedido pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) poucos dias antes do júri, o que suspendeu o seu julgamento por tempo indeterminado.

Mobilização

Uma caravana composta por educadores e membros da APLB de diversas cidades da Bahia acompanhou o julgamento em frente ao Fórum de Itabuna. Para a categoria, a condenação dos policiais representa uma vitória contra a impunidade, embora a luta jurídica continue para que os mandantes também sejam responsabilizados.

A defesa dos policiais informou que pretende recorrer da decisão, sustentando a tese de falta de provas técnicas no processo. Os condenados deixaram o tribunal sob custódia para o início imediato do cumprimento da pena.

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