
A composição da gasolina vendida nos postos de todo o país passará por mudanças nos próximos dias. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento temporário do teor obrigatório de etanol anidro misturado ao combustível, que subirá de 30% para 32%.
A nova regra tem validade inicial de 180 dias, com possibilidade de ser prorrogada. A medida tem um objetivo estratégico claro: diminuir a dependência brasileira da importação de combustíveis fósseis.
De acordo com projeções do Ministério de Minas e Energia, a nova proporção fará com que o país deixe de importar cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano, ajudando a proteger o mercado interno das fortes oscilações de preço no cenário internacional de petróleo.
Uma das principais preocupações dos motoristas é se a nova mistura pode prejudicar o funcionamento dos veículos. Para garantir a segurança da mudança, o governo baseou a decisão em testes técnicos minuciosos realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia.Os estudos comprovaram a viabilidade do novo combustível (chamado de E32) tanto em carros leves quanto em motocicletas.
Segundo os ensaios, o desempenho e o consumo não sofrerão prejuízos, mesmo em motores convencionais que rodam exclusivamente a gasolina (motores não flex). Paralelamente, o governo já realiza análises para avaliar o impacto de uma mistura ainda maior no longo prazo, testando a viabilidade de atingir até 35% de etanol na gasolina.
O pacote de medidas aprovado pelo conselho também trouxe decisões importantes para outras áreas do setor de combustíveis: O CNPE estabeleceu novas diretrizes que restringem a importação de biodiesel destinado à mistura obrigatória ao óleo diesel comercializado nos postos. Agora, esse insumo deve ser produzido exclusivamente por usinas nacionais autorizadas pela ANP, fortalecendo a indústria brasileira.
Para proteger o consumidor, foi aprovada uma ação coordenada de fiscalização entre a ANP, Procons, forças policiais e Ministérios Públicos. O plano inclui a criação de um sistema de escrituração eletrônica certificada para rastrear as vendas e coibir fraudes nos postos de combustíveis.
As novas normas entram em vigor logo após a publicação oficial, consolidando um esforço nacional para dar mais transparência, segurança e sustentabilidade ao setor energético.