DONA NENZA, MORADORA MAIS ANTIGA DE ITABUNA, CELEBRA OS 116 ANOS DA CIDADE: “AMO MORAR AQUI”

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Aos 112 anos, Maria de Jesus, carinhosamente conhecida como Dona Nenza, é considerada a moradora mais antiga de Itabuna. Nascida em 20 de março de 1914, em Rio Novo, atual município de Ipiaú, ela chegou a Itabuna aos 20 anos de idade e acompanhou de perto a transformação do município, que comemorou 116 anos de emancipação política e administrativa.

Com apenas quatro anos a menos que a cidade, Dona Nenza guarda na memória lembranças de uma Itabuna ainda em formação.”Amo morar em Itabuna. Não penso em sair daqui. Lembro das goiabeiras, da Ponte do Conceição e dos peixes do Rio Cachoeira”, recordou.

Ao longo da vida, Dona Nenza construiu uma história marcada pelo serviço à comunidade. Parteira por vocação, estima ter ajudado no nascimento de cerca de 500 crianças em fazendas de Itabuna e de municípios da região, tornando-se uma referência para inúmeras famílias do sul da Bahia.

Além das recordações sobre a história de Itabuna, Dona Nenza também guarda na memória episódios que marcaram o Brasil. Em entrevistas, contou que, ainda jovem, conheceu Lampião e Maria Bonita durante uma passagem do casal pelo interior da Bahia, uma lembrança que considera inesquecível.

Membro da Igreja Batista Teosópolis, ela também é reconhecida pela dedicação à vida cristã. Neste ano, porém, não participou do Culto de Gratidão em comemoração ao aniversário de Itabuna. Segundo ela, uma dor no braço a impediu de estar presente na celebração.

Mãe de dez filhos, avó, bisavó e tataravó, Dona Nenza atribui sua longevidade à fé em Deus, ao trabalho no campo, à alimentação simples e à vida tranquila.Mesmo tendo vivido a época das cartas escritas à mão e das máquinas de escrever, Dona Nenza recebeu uma homenagem especial da advogada e amiga Daniele Novais, que produziu um card em celebração aos 116 anos de Itabuna, registrando o carinho e a admiração pela centenária.

Mais do que testemunha da história, Dona Nenza tornou-se parte dela. Sua trajetória se confunde com a do próprio município, ajudando a preservar a memória de uma Itabuna que já não existe, mas que permanece viva em suas lembranças. Aos 112 anos, ela representa um dos maiores patrimônios humanos da cidade e um símbolo de fé, dedicação ao próximo e amor pela terra que escolheu para viver.

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