QUEM MANDA NO FUTEBOL DE SERRA PRETA?

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A disputa por poder, dinheiro e transparência coloca Liga, clubes e Secretaria Municipal de Esporte no centro do debate

Serra Preta vive hoje uma das maiores mudanças na forma de conduzir o esporte municipal. E essa mudança tem nome: transição de poder.

Durante anos, grande parte das decisões do futebol esteve concentrada na Liga Desportiva, em uma relação muito próxima com o antigo Departamento de Esporte da Prefeitura. Com a criação da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, esse modelo começou a ser questionado e substituído por uma estrutura pública, com organização administrativa, planejamento e cobrança de prestação de contas.

E é justamente aí que começaram os conflitos.

DINHEIRO: A PERGUNTA QUE NINGUÉM QUER RESPONDER

Ao longo dos anos, clubes e pessoas ligadas ao futebol fizeram questionamentos sobre bilheterias, receitas do estádio, cobrança de ambulantes e comerciantes, quadro móvel e distribuição dos recursos.

Há relatos de dirigentes de clubes de que os valores arrecadados nas partidas nunca foram apresentados de maneira suficientemente detalhada aos associados.

A pergunta é objetiva:

Quanto a Liga arrecadou? Quanto gastou? Quanto foi destinado aos clubes? Quanto ficou para a própria entidade?

Se existem documentos que comprovam a regularidade das contas, por que não apresentá-los publicamente aos clubes?

Outro questionamento que circula entre pessoas ligadas ao futebol é sobre uma suposta prestação de contas anterior que teria apresentado saldo negativo de aproximadamente R$ 15 mil.

Se essa informação estiver correta, a pergunta é inevitável:

Como uma instituição que movimenta receitas de jogos, estádio e outras atividades chegou a esse resultado? Quem autorizou as despesas? Onde estão os comprovantes?

Não se trata de acusar ninguém. Trata-se de exigir aquilo que qualquer associado tem o direito de exigir: transparência.

E OS CLUBES?

Outro ponto que precisa ser discutido é a participação dos próprios clubes.

As decisões importantes da Liga são efetivamente discutidas com os associados?

Os clubes têm acesso às contas?

Conhecem detalhadamente as receitas e despesas?

Participam das decisões sobre bilheteria, quadro móvel, utilização do estádio e demais receitas?

Porque uma Liga existe para representar seus clubes. Não deveria existir uma relação em que os clubes apenas entram em campo enquanto poucas pessoas concentram as decisões administrativas e financeiras.

O CASO DO INTERMUNICIPAL

Existe ainda um capítulo que merece esclarecimento: a Seleção Municipal no Campeonato Intermunicipal.

Há relatos de episódios anteriores envolvendo a arrecadação das bilheterias e valores que seriam destinados aos atletas.

Esses relatos precisam ser documentados e esclarecidos.

E justamente por isso fica outra pergunta:

Quem administrava esses recursos? Quanto foi arrecadado? Quanto foi repassado aos atletas? Existe prestação de contas?

Se houve algum problema no passado, ele precisa ser esclarecido. Se não houve, os documentos podem responder.

A SECRETARIA MEXEU NO TABULEIRO

A criação da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer alterou completamente essa relação.

O que antes era conduzido de maneira muito mais informal passou a ter uma estrutura pública, com responsabilidades definidas, planejamento e controle administrativo.

A Secretaria passou a organizar diretamente competições, apoiar o futebol feminino, categorias de base, Master e outras atividades esportivas.

E isso significa uma coisa:

alguns espaços de poder deixaram de estar concentrados onde sempre estiveram.

É natural que uma mudança dessa proporção gere resistência.

O problema começa quando a disputa pelo controle do esporte deixa de ser uma discussão sobre futebol e passa a envolver pressão política, ataques públicos e tentativa de descredibilização da gestão.

QUEM ESTÁ POR TRÁS?

Também chama atenção a atuação de pessoas de fora do município entrando no debate político-esportivo local e produzindo críticas direcionadas à Secretaria.

A pergunta é simples:

Quem está financiando ou orientando essa ofensiva?

Existe alguém por trás?

Existe algum interesse político?

Existe algum grupo tentando preservar espaços que perdeu?

Ou tudo isso é apenas coincidência?

Serra Preta merece respostas.

NÃO É GUERRA CONTRA A LIGA. É COBRANÇA POR TRANSPARÊNCIA.

A Liga Desportiva tem sua importância histórica para o futebol do município. Isso não está em discussão.

O que está em discussão é outra coisa:

dinheiro, poder e transparência.

Se as contas estão corretas, que sejam apresentadas.

Se os valores arrecadados foram corretamente distribuídos, que sejam demonstrados.

Se as despesas foram legais, que sejam comprovadas.

Se as decisões foram tomadas de acordo com o estatuto e com a participação dos clubes, que as atas mostrem.

E se houver irregularidades, que sejam apuradas pelos órgãos competentes.

Porque o futebol de Serra Preta não pode ser tratado como propriedade particular de ninguém.

O estádio é público. Os clubes são os protagonistas. O torcedor é quem sustenta a paixão. E qualquer dinheiro movimentado em torno dessa estrutura precisa ter destino conhecido e justificável.

A disputa pelo poder pode continuar.

Mas uma coisa precisa ficar acima dela:

AS CONTAS PRECISAM APARECER.

E talvez essa seja a pergunta que realmente incomode:

QUEM TEM MEDO DA TRANSPARÊNCIA?

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