Apoio de ACM Neto a Flávio Bolsonaro será testado em Salvador; diferença de 553 mil votos para Lula é principal desafio

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O apoio de ACM Neto (União) a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial será colocado à prova principalmente em Salvador, cidade que o ex-prefeito administrou por oito anos e onde seu principal aliado, Bruno Reis (União), comanda a Prefeitura. Mais do que o resultado geral da Bahia, será o desempenho do candidato do PL na capital que permitirá avaliar se a entrada do líder oposicionista na campanha teve algum impacto eleitoral.

No primeiro turno, embora tenha declarado apoio ao ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), ACM Neto conviveu com o movimento conhecido como Lula/Neto, que defendia o voto casado no presidente petista e no postulante do União Brasil ao governo estadual. Na prática, a campanha estimulou esse movimento. Após a confirmação de sua derrota para Jerônimo Rodrigues (PT), no próprio domingo, 4 de outubro, o ex-prefeito sinalizou apoio a Flávio Bolsonaro.

A decisão também abriu espaço para especulações sobre o futuro político de ACM Neto, que está sem ocupar cargo público desde que deixou a Prefeitura de Salvador, em dezembro de 2020. Uma eventual vitória de Flávio poderia abrir possibilidades de participação em um ministério afinado aos interesses da Bahia. 

Mas qual será, afinal, o peso desse apoio? A conta começa pelos resultados do primeiro turno. Na Bahia, Lula recebeu 5.664.771 votos, contra 2.442.585 de Flávio Bolsonaro. A diferença foi de 3.222.186 votos, ou 37,64 pontos percentuais, considerando os percentuais de 66,17% e 28,53% dos votos válidos, respectivamente.

Em Salvador, onde a influência de ACM Neto pode ser examinada de maneira mais direta, Lula conquistou 944.358 votos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 391.188. A vantagem do petista foi de 553.170 votos, uma distância de 38,23 pontos percentuais.

É justamente essa diferença que estará no centro da avaliação política após o segundo turno. Uma redução expressiva da vantagem de Lula em Salvador poderá ser utilizada pelos aliados de ACM Neto como argumento de que sua participação ajudou Flávio Bolsonaro. Por outro lado, caso a distância permaneça praticamente inalterada ou aumente, o ex-prefeito ficará exposto ao questionamento sobre sua capacidade de influenciar o eleitorado.

O risco político é que o apoio tenha efeito nulo ou até negativo para a imagem de ACM Neto, especialmente porque não se trata de uma atuação isolada. Além dele, Bruno Reis também integra o grupo que apoia Flávio Bolsonaro. São duas das principais lideranças da oposição baiana mobilizadas em favor do candidato do PL.

Interlocutores ligados ao ex-prefeito reconhecem, nos bastidores, a importância do desempenho de Flávio em Salvador para a avaliação dessa aliança. Mesmo sem uma vitória do candidato bolsonarista na Bahia, uma redução significativa da vantagem de Lula na capital poderia ser apresentada como demonstração da força política de ACM Neto. O cenário inverso alimentaria críticas de seus adversários.

A movimentação de ACM Neto ocorre em meio a uma divisão entre partidos e lideranças do chamado centrão. A federação União Brasil-PP declarou apoio a Flávio Bolsonaro, enquanto o MDB está dividido. Uma ala da legenda, com participação de 15 a 17 diretórios estaduais, articula apoio ao candidato do PL, mas o grupo ligado ao presidente Lula, que inclui o MDB baiano de Geddel Vieira Lima, segue em direção contrária.

Situação semelhante ocorre no PSD. Embora o ex-governador Ronaldo Caiado, candidato presidencial da legenda no primeiro turno, tenha declarado apoio a Flávio Bolsonaro, o senador baiano Otto Alencar permanece alinhado a Lula. O presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, optou pela neutralidade, liberando os filiados para fazer suas escolhas.

Há, portanto, diferentes estratégias políticas em jogo. Para ACM Neto, porém, a comparação mais significativa estará em Salvador. No primeiro turno, ele próprio recebeu 769.752 votos para governador na capital, enquanto Flávio Bolsonaro ficou com 391.188 para presidente. A distância de 378.564 votos entre os dois ajuda a dimensionar o eleitorado que apoiou o ex-prefeitoz mas não acompanhou, na mesma proporção, o candidato bolsonarista.

O resultado de 25 de outubro mostrará se essa distância foi reduzida. Mais do que uma declaração de apoio, a participação de ACM Neto no segundo turno será submetida ao teste das urnas, em uma cidade onde ele conserva uma estrutura política relevante, mas onde Lula demonstrou ampla força eleitoral no primeiro turno.

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