AMOR ALÉM DAS GRADES: 14 CASAIS OFICIALIZAM UNIÃO EM CASAMENTO COMUNITÁRIO NO CONJUNTO PENAL DE ITABUNA

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Realizada na sexta-feira (9), cerimônia reuniu reeducandos e seus companheiros em uma celebração marcada pela fé, pela garantia de direitos e pelo fortalecimento dos vínculos familiares

O amor, a emoção e a esperança de um novo começo marcaram a tarde da última sexta-feira (9), no Conjunto Penal de Itabuna, onde 14 casais oficializaram suas uniões durante uma cerimônia de casamento comunitário realizada no Centro de Ressocialização da unidade prisional.

O evento integrou a terceira edição do projeto “Amor e Aliança – Casamento Coletivo”, iniciativa que busca assegurar direitos civis às pessoas privadas de liberdade e fortalecer os vínculos familiares e afetivos como parte do processo de ressocialização.

Desenvolvido pelo Serviço Social do Conjunto Penal de Itabuna, em parceria com a empresa Socializa – Soluções em Gestão, o projeto proporcionou aos participantes a oportunidade de formalizar suas relações perante a lei, em uma celebração que reuniu o significado jurídico do casamento à dimensão humana e afetiva da constituição familiar.

A solenidade também contou com um momento ecumênico, conduzido pelo Padre Tony e por dois dirigentes evangélicos, que compartilharam mensagens de bênçãos, conselhos e ensinamentos inspirados nas escrituras sagradas cristãs. As manifestações religiosas ressaltaram valores como o amor, o respeito, a compreensão, o compromisso e a importância da família, conferindo à cerimônia um significado especial para os casais.

O diretor do Conjunto Penal de Itabuna, José Fabiano Barbosa Carvalho, destacou a importância da iniciativa como instrumento de concretização dos direitos das pessoas privadas de liberdade. Em sua manifestação, reforçou o significado de ações que asseguram o exercício da cidadania e reconhecem a dignidade dos reeducandos, mesmo durante o cumprimento da pena.

Um projeto que transforma direitos em realidadeA realização do casamento coletivo foi precedida de um trabalho de preparação desenvolvido pela equipe do Serviço Social da unidade, envolvendo a identificação dos interessados, atendimentos individualizados, orientações e rodas de conversa com as companheiras dos reeducandos.

Além da organização da cerimônia, a iniciativa exigiu uma série de providências documentais para garantir a habilitação dos casais e a regularidade dos procedimentos de casamento civil.

Para isso, o projeto contou com a parceria do 1º Ofício de Registro Civil das Pessoas Naturais de Itabuna e do Instituto de Identificação Pedro Mello (IIMP), que contribuíram para viabilizar o acesso aos serviços registrais e à documentação necessária.

A formalização das uniões representa uma conquista que ultrapassa o caráter simbólico da cerimônia. O casamento civil assegura direitos e deveres aos cônjuges, fortalece a segurança jurídica das relações familiares e pode facilitar o exercício de outros direitos relacionados à vida civil e familiar.

A iniciativa encontra respaldo na Constituição Federal, especialmente no artigo 226, que reconhece a família como base da sociedade e lhe assegura especial proteção do Estado.

Família e afeto como caminhos para a ressocializaçãoA terceira edição do projeto “Amor e Aliança” reafirma a importância dos vínculos familiares no processo de reintegração social das pessoas privadas de liberdade.

Em um ambiente onde a distância da convivência cotidiana impõe desafios à manutenção das relações afetivas, iniciativas dessa natureza contribuem para preservar laços, fortalecer compromissos e estimular a construção de perspectivas para o futuro.

O casamento comunitário também evidencia que a ressocialização não se limita às atividades educacionais e profissionalizantes desenvolvidas no sistema prisional. Ela envolve, igualmente, a promoção da cidadania, o respeito à dignidade humana e o reconhecimento da família como importante rede de apoio emocional e social.

A ação integra o conjunto de iniciativas de humanização desenvolvidas no Conjunto Penal de Itabuna, administrado em regime de cogestão pela Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (SEAP) e pela empresa Socializa.

Ao reunir 14 casais em torno da decisão de oficializar suas uniões, a cerimônia demonstrou que, mesmo em um ambiente de privação de liberdade, permanecem vivos os sentimentos, os compromissos e os projetos de vida.

Mais do que celebrar casamentos, o encontro reafirmou que o direito de amar, constituir família e reconstruir caminhos permanece além das grades.

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