ÔNUS E BÔNUS DA ELEIÇÃO DE 2026
* Cláudio Rodrigues

Passada as eleições de primeiro e segundo turnos, que na Bahia sacramentou as reeleições do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para comandar os poderes executivos baiano e brasileiro por mais quatro anos, é chegada a hora de contabilizar os vencedores e derrotados no Estado e na nossa região.
No cenário estadual, o maior derrotado é o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (UB). O herdeiro do carlismo perdeu duas eleições consecutivas para o candidato petista vitorioso. A última com mais de um milhão de votos de frente e em primeiro turno.
Como último recurso, apostou todas as suas fichas na eleição para Presidente da República em Flávio Bolsonaro. O primogênito do ex-presidente, atualmente em prisão domiciliar, praticamente sentou na cadeira antes da hora e o resultado todos já sabem: perdeu o segundo turno para o presidente Lula, com uma diferença de 4,4 milhões de votos.
Ao “Jóquei de Cabrito”, como foi apelidado pelo presidente reeleito Lula, resta agora, preparar sua defesa para prestar contas à justiça e a sociedade de suas estripulias nos casos Banco Master e Operação Overclean.
No Sul da Bahia, o prefeito de Ilhéus, Valderico Júnior (UB), contava com a vitória de seu correligionário ACM Neto ao Palácio de Ondina e a chegada de um Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Deu com os “burros n’água” e, para completar, foi acusado de reduzir a frota do transporte público no dia da eleição de segundo turno para dificultar a chegado dos eleitores até as urnas.
Em Itabuna, os aliados de ACM Neto que coordenaram sua campanha e viam em sua vitória uma “tábua de salvação” para se contrapor ao prefeito Augusto Castro (PSD), seguirão de mãos dadas para o ostracismo político. O ex-prefeito Capitão Azevedo e o ex-vice-prefeito Enderson Guinho (ambos UB), perderam com Neto, no primeiro turno para o Governo do Estado, e no segundo turno com Flávio Bolsonaro para a Presidência do Brasil.
A perspectiva de poder dos dois é zero. Outro que também vai amargar em breve o ostracismo político é o ex-prefeito de Uruçuca, Moacir Leite (UB). Prefeito por quatro mandatos, Leite perdeu com ACM Neto e com Flávio Bolsonaro. Sua criatura, a atual prefeita de Uruçuca, Magnólia Barreto (sem partido), caminha a passos largos para um vôo solo, se descolando do criador e contanto com as bênçãos do governador Jerônimo Rodrigues.
Outros prefeitos da região estão de peito estufados e com sorriso de um canto a outro da boca, já que apostaram nas campanhas vitoriosas dos petistas Jerônimo e Lula. São os casos dos prefeitos de Itajuípe, Leo da Capoeira (Avante), e Elder Fontes (PSD), de Itajú do Colônia e presidente da Associação dos Municípios da Região Cacaueira da Bahia (AMURC), dentre outros que apostaram e apoiaram as reeleições do governador Jerônimo Rodrigues e no presidente Lula.
Porém, quem saiu gigante desse preito eleitoral de 2026 foi o prefeito de Itabuna, Augusto Castro. No primeiro turno, ele conseguiu eleger a esposa Andrea Castro (PSD) deputada estadual, com mais de 86 mil votos, sendo mais de 36 mil sufrágios apenas em Itabuna.Augusto Castro contribuiu com o aumento da votação de Jerônimo Rodrigues em Itabuna, em comparação com à eleição de 2022 quando, mesmo o candidato não saindo vencedor, houve significativa ampliação dos votos em 2026 se comparada à relação ao pleito anterior.
Já no segundo turno, o prefeito de Itabuna entrou de corpo e alma na campanha de reeleição do presidente Lula. No primeiro turno, o candidato petista obteve 55.379 votos, contra 47.182 votos, do opositor Flávio Bolsonaro (PL), diferença de 8.197 votos.
No domingo passado, dia 25, quando os brasileiros voltaram às urnas para escolher o presidente para os próximos quatro anos. Lula somou 64.786 votos, enquanto o filho do ex-presidente Bolsonaro obteve 50.210 votos, um diferencial de 14.576 votos. Entre o primeiro e o segundo turno em Itabuna, Lula conquistou 6.379 votos a mais.
O prefeito Augusto Castro é muito articulado, primeiro prefeito reeleito de Itabuna, tem expressiva avaliação positiva de seu governo, já se consolidou como um grande líder regional e caminha a passos largos para se tornar uma liderança política na Bahia.
*Cláudio Rodrigues, é jornalista e atual desde 1988 em campanhas eleitorais na Bahia e em outros estados.