Enquete do Central de Política mostra maioria contrária ao uso de fogos com estampido nas festas juninas

As tradicionais festas juninas movimentam cidades de toda a Bahia com música, comidas típicas e celebrações culturais. No entanto, um tema tem gerado cada vez mais debates entre a população: a utilização de fogos de artifício com estampido durante os festejos.
Em enquete realizada pelo Central de Política, 69% dos participantes se declararam contrários ao uso de fogos com estampido, enquanto 31% afirmaram ser favoráveis à prática. O resultado revela que a maior parte do público defende mudanças na forma como a tradição é mantida, priorizando alternativas que reduzam os impactos causados pelo barulho.
Entre os participantes da enquete, também houve quem defendesse uma utilização mais consciente e responsável dos fogos. A sugestão é que as explosões sejam evitadas em locais próximos a hospitais, clínicas, instituições de acolhimento, residências com idosos, pessoas doentes, pessoas com deficiência e áreas onde há grande concentração de animais domésticos e silvestres.
Impactos nos animais
Especialistas alertam que a audição dos animais é muito mais sensível que a dos seres humanos. O estampido das bombas pode provocar medo extremo, desorientação, crises de ansiedade e comportamento de fuga.
Durante períodos de intensa queima de fogos, é comum o registro de cães e gatos desaparecidos após tentarem escapar do barulho. Alguns animais sofrem ferimentos ao tentar fugir de locais fechados, enquanto outros podem apresentar tremores, taquicardia, falta de apetite e estresse intenso. Em casos mais graves, especialmente entre animais idosos ou com problemas cardíacos, o susto pode trazer consequências sérias para a saúde.
Efeitos nas pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA)
Outro grupo bastante afetado pelos fogos com estampido são as pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições que envolvem hipersensibilidade sensorial.
Muitas pessoas autistas apresentam sensibilidade elevada aos sons. O barulho repentino e intenso das explosões pode desencadear crises de ansiedade, medo, desorganização sensorial e sobrecarga emocional, levando a episódios de grande sofrimento. Algumas pessoas podem apresentar crises de choro, necessidade de isolamento ou outras reações relacionadas à dificuldade em lidar com estímulos sonoros intensos.
Além das pessoas com TEA, indivíduos com outras limitações cognitivas, transtornos neurológicos, idosos e pacientes em recuperação também podem ser prejudicados pelo excesso de ruído provocado pelos fogos.
Tradição e respeito podem caminhar juntos
Embora 31% dos participantes entendam que os fogos com estampido fazem parte da tradição junina, muitos deles ressaltam que seu uso deve ocorrer de forma responsável, respeitando horários e evitando locais onde vivem pessoas mais sensíveis ao barulho ou onde haja grande concentração de animais.
O debate levantado pela enquete demonstra que a população não discute apenas a manutenção de uma tradição cultural, mas também a necessidade de equilibrar a celebração com o respeito ao bem-estar coletivo.
Com a crescente oferta de fogos silenciosos e de baixo impacto sonoro, especialistas e defensores da causa animal e da inclusão social afirmam que é possível preservar o brilho das festas juninas sem comprometer a qualidade de vida de pessoas e animais.
A discussão reforça uma tendência que vem ganhando força em diversas cidades brasileiras: celebrar as tradições com mais responsabilidade, empatia e respeito às diferenças.