
A direita costuma defender que sabe conduzir melhor a segurança pública, mas, segundo o advogado criminalista, mestre e doutor em Direito pela UFBA, professor de Criminologia, capitão do Exército e consultor em Segurança Pública José Mário Soares, o histórico dos estados governados por esse campo político mostra que o discurso não se transforma necessariamente em resultados. Para ele, conhecido como Professor Marinho, o Rio de Janeiro é um exemplo de que políticas baseadas apenas em endurecimento não resolveram o problema da violência.
Em entrevista ao jornal A Tarde neste domingo (14), o professor Marinho Soares avalia que os dados que colocam a Bahia entre os estados com maiores índices de violência precisam ser analisados considerando a realidade local. Segundo ele, a presença de mais de dez facções criminosas, a disputa por territórios e a migração de grupos criminosos de outros estados influenciam diretamente os números de homicídios.
Para o especialista, porém, isso não significa ausência de ação do governo baiano. Marinho afirma que a segurança pública da Bahia está no caminho correto e destaca a redução dos índices de mortes violentas nos últimos anos, além do aumento das apreensões de armas, das investigações e das operações integradas das forças policiais.
O professor também rebate críticas de opositores ao governo estadual que apontam falta de enfrentamento ao crime organizado. Na avaliação dele, são argumentos “rasos e eleitoreiros”, porque o combate à violência é um processo de longo prazo. “Não se resolve um problema de 50 anos em um ano eleitoral com discurso simplista”, afirmou.
Ao falar sobre caminhos para avançar, Marinho defende a continuidade de políticas de prevenção social, educação em tempo integral, tecnologia, inteligência policial e combate financeiro às facções. Ele destaca ainda o uso de câmeras, capacitação policial e aproximação com universidades como ferramentas importantes para uma segurança pública mais eficiente.
Na avaliação do especialista, a Bahia tem adotado uma estratégia mais ampla, combinando repressão qualificada ao crime com ações sociais. Ele também critica propostas como classificar facções criminosas como grupos terroristas, argumentando que medidas simbólicas não substituem políticas públicas estruturadas e baseadas em conhecimento técnico.