2026 tem Copa do Mundo, mas ainda bem que também tem São João!

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José Cássio Varjão

Desde a primeira Copa do Mundo, realizada no Uruguai em 1930, o Brasil é a única seleção que participou de todas elas. Trata-se somente de um dado estatístico, uma constatação real, nada mais que isso. Já não somos mais o país do futebol. Nessa Copa, completamos mais 24 anos sem títulos, como entre 1970 e 1994. A diferença é que naquela época a cobrança era maior, hoje está naturalizado só participar.

Tenho uma rara lembrança da Copa de 1974, na Alemanha Ocidental. A única memória guardada dessa época era aparecer na frente da televisão, como uma criança qualquer, sem dar importância ao acontecimento, sendo convidada a se retirar para que os adultos vissem a seleção de Zagallo, aquele que, perguntado sobre o jogo com a Holanda, de Rinus Michels e Cruyff, disse com desdém que “parecia o América/RJ dos anos 50, com muito tico-tico no fubá. Zagallo, com a empáfia de sempre, era o único jogador à época campeão como jogador e treinador.

Em 1978, o time de Claudio Coutinho, ex-capitão do exército, fez uma primeira fase apenas regular, empatando com a Suécia (1×1) e com a Espanha (0x0), sendo obrigado a ganhar da “temida” Áustria (1×0), com gol de Roberto Dinamite, para se classificar. Na fase seguinte,aconteceu um quadrangular, com dois grupos, que qualificaria duas seleções para a final. Após um jogo covarde com a Argentina (0x0) e a lambança do Peru, que entregou o jogo para os anfitriões (6×0), fomos disputar o terceiro lugar. O capitão/treinador nos denominou os Campeões Morais da Copa.

Em 1982, a seleção de Telê Santana e o infortúnio do Estádio Sarriá, em Barcelona. Perder para a limitada Itália, que empatou as três partidas na primeira fase (Polônia, Camarões e Peru), entra para a história do futebol como uma das derrotas, de uma seleção superfavorita, mais inesperadas da história das copas, assim como as derrotas da Hungria de Puskas, Kocsis, Czibor e Bozsik, em 1954,e da Holanda de Cruyff, Neeskens, Krol, e Rep, em 1974. 

Em 1986, a seleção brasileira, novamente com Telê Santana, fazia uma campanha perfeita, com 4 jogos, 9 gols marcados e nenhum sofrido. Nas quartas de final, contra a França, empate em 1×1 e derrota nos pênaltis. A primeira seleção favorita da história que deixa uma Copa após sofrer um gol. A Copa de 90, na Itália, reservou ao Brasil sua pior participação desde 1970, ficando em nono lugar. Sem comentários.

Chegamos ao tetra, em 1994, nos EUA, com a pragmática seleção de Carlos Alberto Parreira, Romário e cia. Um time ajustado para marcar, que contava com, talvez, a melhor dupla de atacantes do mundo, na época, Bebeto e Romário. Ganhamos, mas foi uma Copa tão insossa, que o campeão surgiu após um sonolento 0X0 e a vitória nos pênaltis. A primeira decisão por cobrança de pênaltis da história. 

Nos anos 1994, 1998 e 2002, com três finais de copas consecutivas, dois títulos e um segundo lugar, vivemos os últimos lampejos como uma seleção de ponta do futebol mundial. 

Como dito no primeiro parágrafo, não há mais pressão popular. Está tudo normalizado. Um título mundial hoje, para os jogadores dessa seleção brasileira, entra somente no currículo. Não acresce nada na vida de jogadores, às vezes medianos, que já são milionários e realizados. Para alguns, melhor seria curtir as férias, na Ilha de Creta, de Capri, em Saint Tropez ou na Andaluzia, a bordo de iates milionários. O melhor exemplo disso está no projeto paterno mais bem sucedido do futebol brasileiro, quando ganhar dinheiro ficou acima da hipotética ambição de se tornar o melhor jogador de futebol do mundo.

A alegria pela chegada da primeira Copa do Mundo, sediada em três países, fica para os mais novos, como meu sobrinho Enrico, que está no seu segundo álbum de figurinhas da Copa e assistirá, como torcedor, pela primeira vez. A esses pequenos, não quero ser indesejável, desejo que curtam esse momento com muita emoção. Quanto a mim, Viva São João!

José Cássio Varjão

Cientista Politico

Autor de Eleições Históricas – Do Voto à História

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