PF APONTA ACM NETO COMO LÍDER DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA E PEDE AFASTAMENTO DE BRUNO REIS

Relatório da Operação Overclean aponta ex-prefeito de Salvador acima do empresário conhecido como “Rei do Lixo” na suposta hierarquia do grupo
A Polícia Federal aponta o ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), como líder de uma suposta organização criminosa investigada por desvios de recursos públicos, fraudes em licitações e contratos. As informações constam de relatório da Operação Overclean divulgado nesta quarta-feira (30) pela CNN Brasil.
No mesmo conjunto de investigações, a PF solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) medidas cautelares contra o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), incluindo o afastamento do cargo e buscas. As medidas, no entanto, dependem de decisão judicial.
Segundo o relatório, após analisar elementos reunidos ao longo das fases da operação, os investigadores afirmam que ACM Neto “exerce a função de liderança da organização criminosa”. A PF coloca o ex-prefeito acima do empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, na suposta estrutura hierárquica do grupo.
Ainda de acordo com a investigação, registros obtidos pela PF apontam mais de 200 ligações por WhatsApp entre ACM Neto e Moura entre agosto e dezembro de 2024. O empresário já foi indiciado pela PF por suspeitas relacionadas a corrupção, fraude em licitação e desvio de recursos públicos.
Contratos em Salvador
A investigação também resgata a relação entre o grupo empresarial de Moura e a Prefeitura de Salvador. Em 2018, durante a gestão de ACM Neto, um consórcio ligado ao empresário venceu uma licitação de aproximadamente R$ 85,5 milhões para serviços de coleta de lixo na capital baiana.
Segundo a PF, contratos relacionados ao grupo permaneceram em vigor durante a administração de Bruno Reis.
A investigação aponta ainda que, após o fim do mandato de ACM Neto em Salvador, o grupo teria ampliado sua atuação para Belo Horizonte, a partir de 2024, com a presença de pessoas ligadas ao núcleo investigado em áreas estratégicas da administração municipal.
Bruno Barral aparece como elo entre Salvador e Belo Horizonte
Um dos nomes citados pela investigação é o de Bruno Barral, que comandou a Secretaria Municipal da Educação de Salvador durante a gestão de ACM Neto, entre 2017 e 2020, e posteriormente ocupou a mesma função em Belo Horizonte.
Segundo a PF, ACM Neto teria participado da indicação de Barral para o cargo na capital mineira. A investigação apura contratos firmados pela Secretaria de Educação de Belo Horizonte com empresas ligadas ao grupo investigado.
Na 10ª fase da Operação Overclean, deflagrada em setembro, Barral voltou a ser alvo de busca e apreensão. A PF investiga pelo menos três contratos que, somados, ultrapassam R$ 80 milhões.
PGR considerou consistentes elementos da investigação
A Procuradoria-Geral da República também se manifestou no caso. Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, o procurador-geral Paulo Gonet considerou consistentes os elementos relacionados à materialidade e à autoria dos crimes investigados e apontou indícios da participação dos envolvidos na suposta organização criminosa.
A PF sustenta que o grupo teria continuado atuando mesmo após as primeiras fases da Operação Overclean.
Bruno Reis e o empresário “Samuca”
O pedido de afastamento de Bruno Reis também envolve o empresário Samuel Franco, conhecido como “Samuca”, apontado nas investigações como ligado ao grupo de José Marcos de Moura.
Segundo a investigação, Bruno Reis teria se tornado sócio de Samuca em 2022. O empresário é suspeito de manter relações com empresas investigadas por suposta emissão de notas fiscais por serviços não realizados.
Ainda conforme informações divulgadas pelo site Metrópoles, Bruno Reis teria ocupado, em 2025, um apartamento pertencente a Samuca no condomínio Bay View, em Salvador.
ACM Neto nega.