EMPRESÁRIOS DE ILHÉUS E ITABUNA VIRAM ALVO DE BOICOTE POLÍTICO APÓS REELEIÇÃO DE LULA; PRÁTICA ACENDE ALERTA SOBRE INTOLERÂNCIA

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Lista com nomes de estabelecimentos comerciais circula nas redes sociais e incentiva retaliação contra empresários apontados como apoiadores do presidente. Episódio remete a situações registradas nas eleições de 2022 e levanta uma discussão sobre os limites entre liberdade de expressão e perseguição política.

A eleição terminou nas urnas, mas a disputa política parece estar longe de acabar. Em Ilhéus, no Sul da Bahia, uma lista com nomes de estabelecimentos comerciais passou a circular em grupos de mensagens, acompanhada de um pedido de boicote a empresas cujos proprietários supostamente apoiaram a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo denúncia publicada pelo portal Pimenta, a iniciativa partiu de eleitores inconformados com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. A orientação é que consumidores deixem de frequentar os estabelecimentos mencionados, numa tentativa de atingir financeiramente os empresários por suas possíveis preferências políticas.

O portal informou que teve acesso à relação, mas decidiu não divulgar os nomes para evitar ampliar a exposição dos comerciantes. Até o momento, não há informações suficientes para identificar os responsáveis pela elaboração da lista ou dimensionar eventuais prejuízos aos estabelecimentos.

Também em Itabuna circula uma lista semelhante. Segundo informações, a iniciativa teria partido de duas moradoras de um condomínio de luxo, inconformadas com o resultado da eleição. Em um grupo interno, elas estariam incentivando os moradores a não comprar produtos nem frequentar estabelecimentos supostamente ligados a petistas.

A lista foi repudiada por moradores. O Central de Política teve acesso ao material, mas optou por preservar os nomes citados. O site ressalta que reconhece muitos dos estabelecimentos mencionados como apartidários.

O PROBLEMA NÃO É NOVO

A circulação de listas de boicote também marcou as eleições presidenciais de 2022. Naquele período, estabelecimentos comerciais de diferentes regiões do Brasil foram incluídos em relações compartilhadas pelo WhatsApp, acompanhadas de pedidos para que consumidores evitassem empresas identificadas como apoiadoras de Lula.

Em Itabuna, também há relatos de circulação de listas semelhantes durante aquela eleição, envolvendo comerciantes apontados como apoiadores declarados do petista. A origem, a autoria e a dimensão desses episódios locais, entretanto, ainda precisam de confirmação documental independente.

UM ALERTA QUE TAMBÉM VEM DA HISTÓRIA

A denúncia em Ilhéus trouxe à discussão um episódio histórico de extrema gravidade. Em 1º de abril de 1933, o regime nazista promoveu na Alemanha um boicote organizado contra estabelecimentos pertencentes a judeus, utilizando a discriminação e a intimidação para afastar consumidores e comprometer a atividade econômica dessas famílias.

O episódio é documentado pelo Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos e marcou o início de uma campanha sistemática de perseguição promovida pelo Estado nazista.

É necessário reconhecer as diferenças históricas e a dimensão incomparavelmente mais grave da perseguição antissemita conduzida pelo nazismo. Ainda assim, a utilização de boicotes para isolar pessoas identificadas como integrantes de determinado grupo oferece uma reflexão importante sobre os perigos da intolerância.

LIBERDADE DE ESCOLHA NÃO DEVE SER CONFUNDIDA COM PERSEGUIÇÃO

A legislação brasileira assegura ao cidadão o direito de manifestar suas opiniões e escolher onde deseja consumir. Deixar de comprar em determinado estabelecimento, por decisão individual, não constitui automaticamente uma ilegalidade.

A situação muda quando surgem ameaças, acusações falsas, exposição abusiva de pessoas ou campanhas que violem direitos e provoquem danos. Dependendo das circunstâncias, essas condutas podem resultar em responsabilização civil e criminal.

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