
O candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) aparece como principal investigado, segundo a Polícia Federal, em uma das frentes da Operação Overclean que apura suspeitas de direcionamento de licitações e irregularidades em contratos da Educação de Belo Horizonte. Ao menos três contratos investigados ultrapassam, juntos, R$ 80 milhões. ACM Neto nega qualquer participação em atos ilícitos.
A linha de investigação analisa a indicação de Bruno Barral, ex-secretário de Educação de Salvador, para comandar a mesma pasta na capital mineira. Segundo a PF, a suspeita é de que a nomeação tenha contribuído para contratações envolvendo empresas ligadas aos empresários Alex Parente e José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”. Sob a gestão de Barral, três contratos investigados chegaram à casa dos R$ 80 milhões, e a polícia apura outros negócios.
�CNN Brasil +1Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a frequência dos contatos entre ACM Neto e Marcos Moura. Segundo reportagem do UOL baseada na representação da PF, foram identificadas centenas de comunicações entre os dois, inclusive em um dia no qual o empresário estaria operacionalizando uma remessa de aproximadamente R$ 5 milhões em dinheiro vivo. A existência dos contatos, por si só, não comprova participação em irregularidades.
A Polícia Federal chegou a pedir autorização para realizar busca e apreensão contra ACM Neto. A medida recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, mas foi negada pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, que considerou não haver base legal suficiente para autorizar a diligência contra o candidato. O pedido havia sido formulado no início do ano, antes do período eleitoral.
A décima fase da Operação Overclean foi deflagrada na quinta-feira (17) e cumpriu 24 mandados de busca e apreensão em seis estados. Bruno Barral, José Marcos de Moura e Alex Parente estiveram entre os alvos. A investigação apura suspeitas relacionadas a organização criminosa, fraude em licitações e lavagem de dinheiro em contratações públicas.
Em nota, ACM Neto afirmou que não tem relação com os fatos investigados e classificou a divulgação das informações como uma tentativa de interferência no processo eleitoral por meio de “vazamentos seletivos”. Ele também destacou que não foi alvo da busca solicitada pela PF.
O caso adiciona um novo elemento à corrida pelo Governo da Bahia a poucas semanas da eleição, mas exige uma distinção fundamental: ACM Neto é investigado e citado nas apurações, porém não há, nas informações disponíveis até agora, condenação que comprove participação dele nas fraudes investigadas.